domingo, 22 de maio de 2011

Uma mentira, duas verdades...

   Havia cacos por todos os lados, talvez houvessem lágrimas também. Algumas coisas estavam inacabadas e era possível que permanecessem assim para sempre. Todos os copos de água estavam derramados e a água suja formava algumas poças que aos poucos tornavam-se incolor. 
   Eu não aprendi a mentir quando era criança, mas em um determinado momento da vida eu fui forçada a fazer isso. Por que? Para que? Não sei... não sei! Fique quieto, por favor! Eu estava enlouquecendo...eu escondia a verdade... a verdade que me era triste! A culpa não era minha, não era! 
   Tudo aconteceu quando fui viajar. O local era frio e o seu nome pouco importa. Eu adorava o frio, as paisagens ficavam ainda mais belas. Então, um dia fui fazer um passeio de barco. O lago era lindo, gelado... gelado. Uma menina fez questão de me acompanhar. Disse-me que ali acharia o que procurava. Ela era tão bela, tão jovem! Chamava-se Nina. Eu não sei como e nem quando ocorreu, lembro-me apenas de vê-la tombando e caindo no lago. Ela me chamava, gritava e se debatia. Eu não consegui, tentei puxá-la, mas por algum motivo não conseguia tirá-la da água.  Eu não pude salvá-la. Vê-la morrer no frio me perturbou.
    Uma investigação foi feita. Procuraram-me e eu contei tudo o que aconteceu, ou quase tudo. Eu menti sobre a parte em que não consegui salvá-la. Shiiu, fique quieto! A culpa era minha? Por que eu me sentia tão mal? O que me consumia era a loucura. Eu não tinha paz...
    Assim decidi contar a verdade. Contei tudo para a mãe da Nina. Ela compreendeu, apesar de que ainda estava muito triste. A culpa não era minha! Por algum motivo ela teve que morrer. E assim era pra ser. 
    A paz começa a surgir e a luz consegue me alcançar. A mentira nunca levou a nada. A verdade é bem melhor, e a liberdade que se tem com ela é melhor ainda. As flores já começaram a nascer, e o frio foi embora, tornando minha vida quente de algum modo. Finalmente os copos estão cheios de água pura!
      Lígia G. V.
      Luz e paz!

sexta-feira, 29 de abril de 2011

  
  A lua surgia bela no céu quando eu comecei a delirar. Na verdade, acredito que não delirava, mas sim que eu experimentava as nuances da verdade. De uma forma ou de outra tudo parecia tão claro em minha mente que não havia como negar. Eu sabia o que aconteceria. Eu havia visto! E o que meus olhos não conseguiam ver, o vento fazia o favor de soprar em meus ouvidos. O tempo me mostrava que eu estava certa.
  Muitas coisas haviam sido reveladas. Assim como a sua presença em meu futuro presente. A cor de seus olhos, o som da sua voz. Mas não era isso o que mais me encantava, pois o modo como tudo parecia real me deixava inquieta. Não importava que rumo as coisas tomassem, você estaria ali, de qualquer maneira. E se por ventura você viesse um dia me perguntar como eu poderia ter tanta certeza disso, eu diria que eu havia visto você diversas noites seguidas. Eu faria com que você estivesse no lugar certo e na hora certa! E tudo o que eu vi, finalmente aconteceria! 
  Quando tudo desapareceu já não era possível ver a lua, pois do lado de fora uma grande e forte tempestade se formava...

  Lígia
  Luz e paz!

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Às vezes a gente faz renascer o passado. Traz as cenas ao presente, revive tudo de novo. De vez em quando até repassamos as falas, e acrescentamos algo. Algo que não dissemos mas gostaríamos de ter dito. Iluminamos melhor o cenário. Mudamos algumas coisas de lugar. Fazemos tudo do nosso modo. Mas de que adianta tudo isso se o tempo não volta? De que adianta pensar nas lágrimas que não foram derramadas, nas palavras que não foram ditas, no abraço que não ocorreu? O passado não volta! Não volta...

Lígia G. V.
Luz e paz!

segunda-feira, 11 de abril de 2011


- Se eu te dissesse que vejo em seus olhos o quente e o frio mergulhados em eterna e frágil beleza, você acreditaria?
- Dizem que as pessoas enxergam nos olhos do outro o que há de mais belo. Se você diz que vê isso, então acredito! É certo que tenho em mim, por enquanto, apenas o outono!

Lígia

sábado, 9 de abril de 2011

- Por que anda tão rápido Alice?
- Tenho medo!
- Medo do que?
- Da sombra!
- Ora, não seja tola menina!
- Não, não! Você não entendeu. A sombra é tudo aquilo que deixei de ser. O que era hoje pela manhã já não sou mais. Na sombra meu passado está, e não quero que ele me alcance. Portanto, deixo a sombra onde está. Ela não deve me alcançar jamais!
- Mas não há como a sombra te alcançar agora, querida!
- Tem razão. Mas ela pode me pegar quando os momentos mais tristes chegarem. Quando nossas portas estão abertas.
- Por isso tenta ser sempre feliz?
- Marina, eu apenas sorrio, isso não quer dizer que sou sempre feliz!
- Isso não faz sentido, Alice!
- Muitas das coisas que fazemos nesse mundo da terceira dimensão não têm sentido algum!

Lígia G. V.
Luz e paz