quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Para você

                                                          Ilustração de Josephine Wall

    Noite passada fiquei deitada na grama por um bom tempo, só observando as estrelas. Lembrei-me de você e de mim. De quando eu fazia isso todos os dias. De como era bom sentir o vento fresco tocar o meu rosto... O tempo passou depressa!
    Observando as estrelas eu percebi que o universo dava um jeito de trazer a luz a escuridão, e que ela estaria onde nós desejássemos. Lembra quando você dizia que o mundo iria acabar? Pois é, ainda bem que isso era só uma brincadeira sua, pois as coisas estão bem diferentes agora, diferentes num bom sentido. Eu posso sentir isso, e eu sei que você também pode.
      E agora quando eu olho para o céu, eu já não procuro o que eu tanto procurei, porque eu sei que está lá de qualquer forma, mesmo que eu não possa ver. O que a gente tanto esperou que acontecesse, enfim, já está acontecendo...

Luz e paz!
Lígia G. V.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

         Meu vestido branco todo florido indicava que o verão estava no ápice, o calor me enlouquecia, e talvez por isso eu imaginasse coisas que não aconteciam. Meu coração bateu rápido e eu respirei fundo mais uma vez. Não há o que temer, eu pensei. Depois de algum tempo eu finalmente tomei coragem e abri a porta. Ela estava lá, sentada em uma poltrona. Ela era linda, como eu sempre imaginei! Eu não sabia o que fazer, não sabia porque eu estava ali. Ela olhou no meus olhos, e pude perceber que seus olhos azuis eram tão profundos quanto o céu.
          - Você tem me procurado já faz muito tempo, não é mesmo?
          - Tenho. - eu respondi.
          - E por que você me procura?
          - Eu não sei.
        - Hm. Eu posso ter acesso a sua mente. Quantas vezes você imaginou esse encontro, hein?!- ela sorriu.
          Eu fiquei vermelha. Meu Deus, ela tem acesso a quem eu sou. Isso é ruim?
         - Não, minha querida, isso não é ruim. Ruim seria se você fingisse ser o que você é!- ela sorriu. - Tem certeza que você não sabe porque me procura?
          Eu pensei durante algum tempo, chegando a conclusão de que eu sabia o porque, e ela também.
        - Eu te procuro porque você pode me ajudar.
        - Ajudar em que, meu anjo?
        - A descobrir que eu sou. - eu olhei para o chão.
        - Sim, sim. Eu entendo. Todo ser humano deseja saber o que veio fazer aqui e quem realmente é. Mas por que precisa de mim para isso?
        - Não sei, você tem ligação com algo que eu não tenho. E eu pensei que por isso você pudesse me ajudar.
     - Todo mundo tem essa ligação, criança. Está dentro de você. Você é ela! Eu posso te ajudar a despertá-la, mas daí em diante eu não serei mais necessária.
         Eu sorri sem jeito. Não conseguia acreditar direito no que ela dizia.
         - Eu também não acreditava quando isso foi dito a mim. Mas eu descobri que isso era verdade. Você é este universo, e você também é Deus. Eu estarei com você sempre que precisar. Eu sou sua amiga e sou sua irmã. - ela sorriu.- Confie em você.
      Eu fiquei olhando para ela até que ela desapareceu. Eu havia criado toda aquela situação? Havia imaginado?    
        O calor podia ter causado os meus outros delírios, mas esse definitivamente foi real. E agora eu sabia que quando eu a chamasse ela estaria ao meu lado!

      Luz e paz!
      Lígia G. V.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

                Um dia eu ouvi dizer que o amor só morre quando morremos.
                Mas eu sei que isso não é verdade, pois o amor é eterno assim como eu.
                Eu queria mesmo é que minha professora acreditasse que o amor cura tudo.
                Mas ela me disse que o amor é que lhe causa a dor, e de dor ninguém gosta.
            Eu disse a ela que isso não é verdade, porque o verdadeiro amor não causa nada a não ser amor e coisas boas. Quem lhe causava a dor era ela mesma que se deixava ferir por palavras e atos feitos por alguém.
               Ela ficou brava comigo e disse que eu não entendia nada sobre isso pois era só uma criança
                - Você está brava porque sabe que é verdade. O amor não existe para machucar e depois deixar cicatrizes na vida das pessoas. Ele existe para curar tudo isso.
                
               Lígia G. V.
               Luz e paz!

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

A Luz que há em você - final


                                                             Ilustração de Josephine Wall

                - Olá! – sua voz era suave.
                - Oi. – eu respondi ainda atordoado. – Eu só estava vendo você...
                - Dançar. – ela riu.- Eu sei. Eu vi você chegar! – ela sorriu para mim.
                - Não te preocupa que eu possa contar a alguém o que eu vi?
                - Não! – ela respondeu firmemente. – Porque eu sei que você não contaria. Eu sei que você tem aí dentro o mesmo que eu tenho dentro de mim. – seus olhos brilharam e por um momento eu tive impressão que eles espalhavam luz pelo mundo.
                - Por que você dança? – eu perguntei.
                - Eu danço porque a dança faz parte de mim. Eu sou a música, eu sou a dança e eu sou a luz.
                - Mas como você fez surgir essas flores?
                - Não importa como elas surgiram. Elas só apareceram porque eu tenho amor dentro de mim. O amor incondicional. – ela sorriu. - Quando eu danço esse amor envolve tudo o que está ao meu redor, e isso faz com que a beleza apareça.
                Eu ficou em silêncio, apenas olhando para mim, e depois retornou a falar:
                - Você tem isso dentro de você, querido. Sim, você também tem essa luz e esse amor. Eu estou aqui para que você desperte do que te aprisiona. Para te mostrar que você, assim como todos, pode espalhar beleza a esse mundo que aos poucos morre.
                Eu fiquei olhando-a sem entender muita coisa, mas eu sabia que ela tinha razão, ela falava a verdade. Pois do meu jeito eu já levava a felicidade para as pessoas. Eu gostava de vê-las sorrirem e de ouvi-las dizerem que amavam a vida e amavam o universo. Aos poucos eu mostrava a elas o caminho até a luz.
                Eu passei a dançar. Dançava todos os dias ao lado de Heloísa. E quando eu dançava eu via uma luz sair de mim e iluminar tudo e todos a minha volta. Eu era aquela luz que levava alegria e amor ao mundo. Eu sou essa luz! Mas nem tudo foi fácil, eu tive que quebrar muitas barreiras que havia colocado em minha vida para alcançar o que alcancei.
                Muitas vezes eu vi surgir no rosto triste de uma criança um lindo sorriso, provocado apenas por me ver dançar. Eu levava a esperança aos corações despedaçados e fragilizados. Eu levava a paz aos lares perturbados. E despertava aqueles que estavam prontos para viver essa realidade.
                Eu e Heloísa dançávamos porque nós éramos e ainda somos a dança que faz desabrochar todas as flores de luz do universo. Nós somos a luz que há em você!

Muita luz e paz a todos!
Lígia G. V.

domingo, 29 de janeiro de 2012

A Luz que há em você


                                                             Ilustração de Josephine Wall

                Houve um tempo em que a magia era sentida nos corações mais nobres e sinceros que existiam na humanidade. Não falo sobre aquela magia que destrói pessoas e traz as trevas para aqueles que também têm luz, mas sim aquela que dá cor a vida e aroma as flores que nascem no esplendor da primavera.  Aquela que faz brilhar os olhos de uma criança e tira da escuridão o mais pobre espírito.
                Eu vivi neste tempo e pude experimentar diversas coisas que me trouxeram grande felicidade. A felicidade plena, posso assim dizer. Eu nunca tive muito poder, apesar de na época ser um jovem rapaz vindo de uma família rica. O poder nunca me interessou e talvez por isso a magia nunca tenha me consumido ao longo dos anos. Eu e Heloísa, minha amada Heloísa, transformamos a magia e trouxemos luz a um mundo que sucumbia aos poucos, mergulhado em egoísmo.
                Eu vivia rodeado de luxo e bens materiais. As pessoas me davam presentes caros para que eu continuasse a ter uma vida de nobreza, mas aquilo não me importava. É claro que o dinheiro tinha um papel importante na vida de um homem, ele trazia muitas coisas, e quando você adoecia tê-lo era uma garantia de que você poderia sair  vivo daquela situação. Mas eu gostava das coisas simples, eu gostava do amor. O amor incondicional. E isso fez com que eu visse a vida de outra forma.
                Conheci Heloísa quando eu tinha cerca de 20 anos e ela 19. Seus cabelos negros e cacheados caiam sobre seu rosto meigo e seus olhos verdes brilhavam da forma mais pura possível. Ela sorria e dançava. O sorriso mais sincero e amoroso que cheguei a ver em minha passagem pela Terra. E a sua dança... ah... a sua dança era luz! Enquanto ela se movia no meio da neve e eu a observava pude ver que a sua volta rosas surgiam entre as plantas nuas de inverno. Eu me perguntei inúmeras vezes como elas poderiam surgir em meio a tanto frio. Depois de algum tempo eu entendi que aquilo era magia. Heloísa trazia flores ao mundo na época em que todos nos recolhíamos. Trazia cor ao mundo frio.
                E enquanto eu compreendia o que acontecia e começava a ficar maravilhado com a situação eu me dei conta de que ela não estava mais lá e assustado eu me virei para procura-la. Assim encontrei-a olhando para mim.

Lígia G. V.
Continua...