domingo, 29 de janeiro de 2012

A Luz que há em você


                                                             Ilustração de Josephine Wall

                Houve um tempo em que a magia era sentida nos corações mais nobres e sinceros que existiam na humanidade. Não falo sobre aquela magia que destrói pessoas e traz as trevas para aqueles que também têm luz, mas sim aquela que dá cor a vida e aroma as flores que nascem no esplendor da primavera.  Aquela que faz brilhar os olhos de uma criança e tira da escuridão o mais pobre espírito.
                Eu vivi neste tempo e pude experimentar diversas coisas que me trouxeram grande felicidade. A felicidade plena, posso assim dizer. Eu nunca tive muito poder, apesar de na época ser um jovem rapaz vindo de uma família rica. O poder nunca me interessou e talvez por isso a magia nunca tenha me consumido ao longo dos anos. Eu e Heloísa, minha amada Heloísa, transformamos a magia e trouxemos luz a um mundo que sucumbia aos poucos, mergulhado em egoísmo.
                Eu vivia rodeado de luxo e bens materiais. As pessoas me davam presentes caros para que eu continuasse a ter uma vida de nobreza, mas aquilo não me importava. É claro que o dinheiro tinha um papel importante na vida de um homem, ele trazia muitas coisas, e quando você adoecia tê-lo era uma garantia de que você poderia sair  vivo daquela situação. Mas eu gostava das coisas simples, eu gostava do amor. O amor incondicional. E isso fez com que eu visse a vida de outra forma.
                Conheci Heloísa quando eu tinha cerca de 20 anos e ela 19. Seus cabelos negros e cacheados caiam sobre seu rosto meigo e seus olhos verdes brilhavam da forma mais pura possível. Ela sorria e dançava. O sorriso mais sincero e amoroso que cheguei a ver em minha passagem pela Terra. E a sua dança... ah... a sua dança era luz! Enquanto ela se movia no meio da neve e eu a observava pude ver que a sua volta rosas surgiam entre as plantas nuas de inverno. Eu me perguntei inúmeras vezes como elas poderiam surgir em meio a tanto frio. Depois de algum tempo eu entendi que aquilo era magia. Heloísa trazia flores ao mundo na época em que todos nos recolhíamos. Trazia cor ao mundo frio.
                E enquanto eu compreendia o que acontecia e começava a ficar maravilhado com a situação eu me dei conta de que ela não estava mais lá e assustado eu me virei para procura-la. Assim encontrei-a olhando para mim.

Lígia G. V.
Continua...

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